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José Manuel Moraes Neves

Maré de recordações

Maré de recordações

 

O mar baila com as rochas na areia.

O Sol descoberto, ilumina seu esplendor.

O ar cálido da tarde, que te rodeia,

Afaga-te a face numa carícia de amor.

 

No repouso, abandonado dessa tarde,

O café bebido, soube a vento e maresia.

O silêncio espera que teu coração guarde,

Para sempre, esses momentos de magia.

 

A rebentação suave das ondas na praia,

Trazem-te lembranças de vozes do passado.

O mar embala a saudade para que não saia,

Desse teu coração que bate atormentado.

 

Os salpicos do mar são lágrimas choradas

Pelos olhos que um dia, de ti se afastaram.

Levando as vontades não concretizadas

E em seu lugar apenas desilusões ficaram.

 

A esplanada está vazia e o tempo passou.

No ar, uma gaivota inicia um voo solitário,

Numa busca de algo que nunca encontrou.

Olha-la e revês nela o teu triste fadário.

 

Como as recordações que o mar te despertou,

A aragem da tarde suavemente arrefeceu.

Apenas uma carícia fria em teu rosto ficou,

Levando do peito o lembrar que o aqueceu.

 

O mar aos poucos sossegou e adormeceu,

No seu abandono habitual na baixa-mar.

O Sol para lá do horizonte desapareceu,

Apagando a luz, para não o despertar.

 

Sem pressas preparas-te. É hora de partir.

A maré levou também as tuas recordações.

Como aquela gaivota, não tens para onde ir.

No teu sentir, não há lugar para mais ilusões.


Publicado no livro Sentidos Despertos das Edições Vieira da Silva